sábado, 16 de abril de 2011

Para ler depois de 2020

Mais uma semana e aqui estou eu a pensar no que escrever... E que tal escrever sobre que tem acontecido à minha volta nestes últimos dias para o meu eu daqui a alguns anos poder ler e recordar?

Bem, se estás a ler isto em 2020 e qualquer coisa, ficas a saber que neste Abril vivias dias estranhos, o próprio tempo parecia fora de sintonia como se alguém lá nas nuvens se tivesse enganado e agendado um verão em vez da primavera.

Mas não é só o tempo que parece fora do normal, é o mundo, dizem que o país está em crise e que não temos onde cair mortos, o líder que andou a mandar nisto há anos disse que já não tem condições e para governar e pediu eleições. Achas que ele ficou cansado ou desanimado com o desastre, que pediu desculpa por isso ter ido tudo para as urtigas enquanto ele estava aos comandos? Qual desculpa, qual carapuça, continua convencido que é um deus, reuniu os seguidores para o aclamarem como se fosse uma espécie de Faraó ou tirano da Coreia do Norte e parte todo feliz para as eleições.

Onde terá ele arranjado gente para gritar daquela maneira? A credibilidade de tudo o que é político bateu no fundo há tempos, fez um buraco e continuou a cair, de onde vem aquele entusiasmo? Serão marcianos que acabaram de sair do disco voador e ainda não conhecem este canto do mundo, ou terão capangas à porta para espevitar os menos animados com a promessa de uma carga de porrada, ou álcool para todos, ou promessas de tachos e subsídios? Mistério...

É também o tempo da vinda do FMI, os ogres economistas que comem uma criancinha ao pequeno almoço todos os dias antes de irem trabalhar a endireitar a economia. Não sei se serão realmente canibais mas cheira-me que pelo menos vão-nos receitar uma dose de austeridade para recuperar da crise, e isso já é bastante mau porque esse género de coisas acaba por se pago por toda a gente menos os mais ricos, quem pode pagar mais usar o dinheiro para escapar, raio de mundo ao contrário.

E mais importante do que isto tudo, alguém que pensava que tinha ido embora mudou de ideias e voltou, ou talvez nunca tenha realmente ido embora apesar das aparências. Dificuldades, discussões e mal entendidos são simplesmente esquecidos porque quando temos aqueles momentos em que as coisas correm bem sinto-me uns anos mais novo e suspeito que do outro lado passa-se a mesma coisa.

Se ela estiver ao teu lado quando leres isto dá-lhe um beijo por mim, se não, então tira um minuto para a recordar, porque ela deu tornou estes dias estranhos mais alegres e deu o empurrãozinho necessário para continuares a funcionar nestes tempos.

domingo, 10 de abril de 2011

Quando chegar a velho também quero ser assim

Vi isto na web há alguns dias, a Arménia ficou sem Internet durante 5 horas, normalmente a rede continua a funcionar mais ou menos bem haja terramoto, guerra, furacão, nevão, é preciso destruir muitos computadores e muitos cabos para parar as coisas.

Ou talvez não, pode ser possível cortando o cabo certo na altura certa, um desastre natural destrói ao acaso e não vai acertar, por isso é preciso algo com inteligência para apontar ao cabo, algo como...

Uma idosa da Geórgia com 75 anos, uma pá e planos para fazer algum dinheiro a roubar cobre, normalmente o cobre está em fios, cabos e coisas do género, por isso toca a cavar e pronto! Lá se foi a Internet da Arménia!

Quando chegar a velho gostava de não precisar de roubar cobre, mas por outro lado, ter energia para ameaçar a Internet de um país inteiro parece fantástico!

http://www.guardian.co.uk/world/2011/apr/06/georgian-woman-cuts-web-access

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Feliz dia do livro comestível!

Aqui estamos no 1º de Abril, com piadas e mentiras à solta, e com o dia quase a acabar fico a pensar no que escrever, que piada inventar para marcar a data?

Bem, não vou pensar mais porque a resposta acaba de chegar, vou escrever a verdade que é ainda mais impressionante! A mentira e a piada têm de parecer plausíveis mas a realidade não tem essas restrições, ela simplesmente existe e tem a última palavra.

Por isso, feliz dia do livro comestível a todos! Hoje é um dia de festivais e concursos por todo o mundo, todos com o mesmo espírito, mostrar criações deliciosas inspiradas pela literatura.



E por hoje já chega, vamos é mas é entrar no espírito da data e enfiar os dentes num bom livro!

domingo, 27 de março de 2011

Tempos difícieis

Aqui estou eu, sozinho outra vez. Quando temos um lado desastrado precisamos de alguém que se pode rir quando as coisas fogem do que foi planeado, que acha graça aos hábitos um pouco fora do normal, que é capaz de nos chamar "tonto" num tom carinhoso, que gosta de estar connosco apesar dos nossos defeitos.

Pensava que tinha encontrado alguém assim, mas afinal não era verdade, tinha encontrado o outro tipo de pessoa, mais comum, que se irrita quando as coisas não pelo caminho que imaginava, que nos chama "parvo" num tom agressivo.

Não sei se ela mudou a maneira de ser desde os primeiros tempos ou se estava a disfarçar ao principio, mas o resultado final foi o mesmo, uma bela discussão e adeus.

Sou bastante mau a lidar com relações e pessoas, mas até eu sei que ficar junto de alguém que diz preto no branco que nos quer ver ir embora só vai trazer mais discussões e dores de cabeça, por isso não houve dúvidas, estava na altura de partir.

Por isso, sozinho novamente, será que alguma vez vou conseguir construir algo que dure?

sábado, 19 de março de 2011

A artilharia anti-pato

Admito que às vezes não entendo bem as pessoas, mas há um facto básico que já percebi e nunca falha, as pessoas fazem as coisas mais incríveis, nada é demasiado louco, demasiado parvo, demasiado estúpido, se algo é fisicamente possível, há um louco que já fez ou está a fazer.

Por exemplo, vamos imaginar um caçador, ele tem um lago favorito cheio de patos e apanha sempre uma série deles. Tudo parece bem, até que num belo dia ele começa a pensar se não haverá maneira mais eficiente do que dar um tiro em cada um...

Bem, quanto mais um chumbo ele conseguir pôr no ar mais patos vai apanhar com cada tiro, certamente. Por isso toca a procurar uma arma maior...

Algo que apanhe 5 de cada vez...

Ou 10...

Ou 20...

Ou algo mesmo a sério, que tal 50 com um tiro para despachar logo tudo?


E pronto, aqui está a maravilhosa "Punt gun"! Andar com este monstro ao ombro está fora de questão é claro, por isso o melhor é montar isto na proa do barco e depois é só remar para apontar:




Hoje é uma curiosidade bizarra, mas no século XIX era a ferramenta usada pelos caçadores que vendiam as penas para a industria de chapéus de senhora. Para tornar tudo ainda mais eficiente organizavam-se em pequenas frotas e depois aproximavam-se cuidadosamente do bando de patos alvo para apanhar uma boa carga logo ali.

Imaginem a cena, algures num lago Americano ou Inglês, 10 barcos carregados de artilharia aproximam-se de um bando de patos sorrateiramente, com todo o cuidado, como se os bichos fossem entrar nesta corrida ao armamento e retaliar com torpedos ou coisa parecida. Os atiradores colocam-se em posição, respiram fundo e apontam cuidadosamente, esta é uma missão vital, a industria de chapéus com penas depende do resultado deste dia...

Incrível e ao mesmo tempo completamente plausível, é aquele género de coisa demasiado bizarro para ser inventado.

domingo, 13 de março de 2011

O maravilhoso texto explicativo para analfabetos

Ok, alguém lá nas alturas do poder achou boa ideia extrair umas estatísticas do povo, onde vivem, onde trabalham, como vão para onde trabalham, onde estavam num certo dia, se já tinham nascido num certo ano, que se são ateus, cristãos ou sacrificam virgens a uma criatura tentacular que dorme numa cidade afundada nas profundezas do oceano Pacífico.

E até há multa para quem não responder, nem pensar em escapar ao grande esforço estatístico toca a preencher as caixinhas para ficarmos todos muito bem etiquetados e categorizadinhos, prontos para nos espremerem até à última gota em nome da austeridade.

Ainda não recebi o meu questionário mas já dei uma espreitadela rápida a um deles, e lá encontrei um golpe de génio. No meio daquelas perguntas todas está a perguntar à pessoa se é analfabeto, e melhor ainda, vem um pequeno texto explicativo a ajudar, "Se memorizou algumas frases e letras mas não sabe ler e escrever assinale analfabeto".

Sim, eu sei que as pessoas por detrás disto esperam que os analfabetos partilhem o "divertimento" dos impressos e perguntas abelhudas com um amigo mais instruído, mas não deixa de ser engraçado ver um texto explicativo para analfabetos.

domingo, 6 de março de 2011

Fiz porcaria outra vez...

São mais do que horas de largar isto e ir dormir mas apetece-me desabafar, tenho um grande problema, sou terrível a lidar com pessoas, relações, sentimentos e coisas do género.

E infelizmente é algo que não se pode resolver facilmente, não é um problema especifico, é um talento generalizado para tomar o caminho errado nestes assuntos. Sou uma bela porcaria, posso eventualmente mudar, mas isso passa por romper com quem sou, precisava de confiança e coragem para isso, mas como o primeiro passo é reconhecer o problema e o problema sou eu, isso vai ser muito difícil de conseguir.

E procurar ajuda não é uma opção, a família é parte do problema, amigos e potenciais relações vão querer resultados e não problemas.

É uma bela porcaria, penso que mesmo que mude vou continuar a ser "eu" no fundo, o tipo que faz uma pequena coisa bem, ou algo maior e mal e espera que os outros fiquem contentes porque "o que conta a intenção", que quando abre a boca em questões de sentimentos diz logo o que não deve, e que por isso acaba por ficar calado quando os outros esperam que diga qualquer coisa.

Mesmo assim, pensava que tinha um caminho para fora disto, passos pequenos e devagar, não falar demasiado, não arranjar conflitos e problemas, é certo que não ia conseguir uma boa parte dos meus sonhos mas era melhor do que nada.

Agora já não sei, raios me partam a mim, sei que em teoria posso ser algo positivo, só tenho de não ser "eu", ou seu eu mesmo o sou algo de bom, mas que raio de escolha.